A supermodelo
você já conhece.

Agora vai
conhecer a Gisele.

A caminhada de Gisele Bündchen começou no Rio Grande do Sul, numa casa com cinco irmãs, jogando vôlei e resgatando cães e gatos de rua. Nessa época, a carreira dos sonhos de Gisele estava bem longe das passarelas e mais próxima das quadras de vôlei. Mas, aos 14 anos, numa viagem a São Paulo, o destino interveio e colocou um olheiro em seu caminho. Gisele se tornou um ícone, deixando uma marca permanente na indústria da moda. Porém, até hoje, poucas pessoas tiveram a oportunidade de conhecer a verdadeira Gisele, uma mulher cuja vida privada é o oposto de sua imagem pública. Em Aprendizados, ela revela, pela primeira vez, quem realmente é e quais ensinamentos, em seus 38 anos, a ajudaram a viver uma vida com mais significado. Uma jornada da sua infância de pés descalços em Horizontina à carreira internacional, à maternidade e ao casamento com Tom Brady.

Gisele fala do livro

Leia a introdução

Se minha intenção fosse escrever um relato simples e direto da minha vida até agora, a versão editada em cortes rápidos poderia ser esta:

Meu nome é Gisele Caroline Bündchen. Trabalho há 23 anos como modelo. Nasci em 1980 e fui criada em Horizontina, uma cidade- zinha no sul do Brasil, a uma hora do rio que faz a divisa do país com a Argentina. Sou da quinta geração de brasileiros descendentes de alemães, tanto por parte de mãe quanto por parte de pai. Meus pais falavam alemão um com o outro e português comigo e com as minhas cinco irmãs. Sou uma das filhas do meio e, quando éramos pequenas, minha irmã gêmea Pati e eu ficávamos discutindo para saber qual das duas era a terceira ou a quarta em ordem de idade. Durante a minha infância, queria ser ou jogadora de vôlei profissional ou veterinária.

Quando tinha 13 anos, minha mãe, preocupada com a minha má postura — eu já media 1,75m —, me matriculou junto com duas das minhas irmãs num curso de modelo e manequim na nossa cidade. No fim do curso, nós embarcamos numa excursão para Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. A viagem de ônibus pareceu interminável, durou 27 ho- ras. Algumas mães viajaram conosco, incluindo a minha. Num shopping em São Paulo, um homem se aproximou de mim e soltou uma frase que me deixou desconfiada: Você quer ser modelo? Eu gritei “Mãe!”, e ela veio correndo. Mas esse cara — Zeca era o nome dele — era sério, um caça- -talentos da Elite Model Management. Quando fomos até o escritório da agência, ele disse para minha mãe que ela devia me inscrever num con- curso nacional, o Elite Look of the Year, e foi o que ela fez. Não consegui acreditar quando ganhei o segundo lugar, que veio acompanhado de uma passagem para Ibiza, na Espanha, para eu participar da etapa mundial do Elite Model Look. Foi minha primeira viagem de avião, a primeira vez que saí do Brasil. E acabei ficando entre as dez finalistas. Tudo estava acontecendo muito, muito rápido.

Um ano depois, em 1995, mudei para São Paulo para me lançar na carreira de modelo. Tinha 14 anos. Como se pode imaginar, sair de uma cidadezinha de 17 mil habitantes para morar na maior cidade do Brasil foi uma mudança enorme. Depois de passar alguns meses traba- lhando em São Paulo, a agência me mandou para Tóquio, no Japão, onde morei durante três meses fazendo fotos como modelo de catálogo. Meu primeiro grande momento aconteceu alguns anos depois, em Londres, quando o estilista Alexander McQueen me selecionou para o desfile de sua coleção prêt-à-porter. Eu desfilei pela passarela sem camisa, assustada, com um top branco pintado no meu corpo no último minuto por uma maquiadora, enquanto uma chuva artificial caía do teto. Depois do desfile de Alexander McQueen, a indústria da moda passou a me chamar de The Body — ou “O Corpo” — e o apelido pegou.

Em 1999, trabalhei como modelo para Versace, Ralph Lauren, Chloé, Missoni, Valentino, Armani e Dolce & Gabbana. A revista Vogue me escolheu para representar o fim da era das modelos heroin chic. Naquele ano, fui capa da Vogue francesa e três vezes capa da Vogue americana. A manchete de uma das matérias era “A volta das curvas”. Terminei aquele ano ganhando o prêmio de Modelo do Ano da Vogue. Na primavera de 2000, trabalhei como modelo para Marc Jacobs, Donna Karan, Calvin Klein, Christian Dior, Prada, Valentino e muitas outras grifes renomadas em Nova York, Milão e Paris. De 1998 a 2003, estrelei todas as cam- panhas de moda da Dolce & Gabbana e, de 2000 a 2007, fui uma das Angels da Victoria’s Secret. Nos últimos vinte anos, apareci em mais de 1.200 capas de revista, quase 450 campanhas publicitárias e participei de cerca de 500 desfiles de moda. Em 2015, optei por reduzir o ritmo da carreira de modelo, porque queria me concentrar mais na minha família e em projetos pessoais. Meu último desfile foi na abertura das Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. Percorri a passarela mais longa da minha vida ao som de “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim. Foi eletrizante! Aquele momento pareceu ser o ponto culminante de tudo o que tinha vindo antes.

Tudo isso aconteceu — embora eu tenha deixado todos os detalhes de fora. Essa é a história da minha vida pública. Mas tudo o que vivi em público tem pouquíssima relação com quem realmente sou, com o que mais importa para mim, ou com as coisas em que acredito e com o que desejo oferecer para o mundo. O irônico é que, embora eu seja conhecida pelo meu trabalho como modelo, nunca senti que aquela pessoa na passarela, ou nas revistas, ou nos comerciais de TV fosse eu. Na escola, meus colegas debochavam de mim por causa da minha altura, da minha magreza e da minha aparência. Por maior que seja o seu sucesso na vida adulta, não acredito que isso seja capaz de mudar completamente o modo como você se via na infância.

Então, quando comecei a trabalhar, mesmo que a princípio eu tivesse o porte de modelo, me sentia desajeitada. O fato de algumas pessoas da indústria da moda me dizerem que meus olhos eram pequenos demais e que meu nariz e meus seios eram grandes demais reforçava esse senti- mento. Aos 14 anos, nada parecia ser mais desagradável ou me fazia sentir mais constrangida do que um estilista me dizendo que eu era bonita, ou um fotógrafo me dizendo como fazer uma pose, ou ainda ouvir um editor comentando sobre o meu corpo, os meus seios, os meus olhos ou o meu nariz como se eu não estivesse lá.

Foi por isso que, por volta dos 18 anos, numa tentativa de me proteger e evitar sofrer ou me sentir como um objeto, eu criei um escudo ao redor de mim mesma. O meu eu privado era Gisele, mas a modelo Gisele era ela. Era como eu a chamava também — ela. Ela era uma atriz. Uma performer. Uma camaleoa. Uma personagem que criei para expressar a fantasia de um estilista. Eu chegava para trabalhar e ouvia o que o fotógrafo queria, o que o estilista queria, o que o maquiador queria. As ideias deles se uniam para criar um clima, e eu, de repente, conseguia ver ela, sentir ela. Trabalhar como modelo era uma forma de explorar todas as facetas da minha personalidade, incluindo aquelas que eu nem sabia que tinha. Sendo ela, podia expressar qualquer emoção, qualquer atitude. Era como se, me desconectando de mim mesma, pudesse ser livre, enquanto mantinha o meu eu verdadeiro escondido e seguro. Ela podia ser sexy ou recatada. Ela podia ser uma soldada ou uma mulher atrevida. Ela podia ser um rosto ou um corpo no meio de dois extremos. Eu não sonhava em ser modelo — quando era pequena, nem sabia que era uma profissão. Eu simplesmente vi o que estava acontecendo comigo como uma oportunidade de ganhar a vida. As portas se abriram — primeiro uma, depois outra —, e entrei por elas. Havia também uma questão prática em jogo. Quando criança, cheguei a ouvir meus pais discutindo por causa de dinheiro. Achei que, se tentasse ser modelo, e até me tornasse boa nisso, poderia ajudar a nossa família. Então decidi aproveitar a chance que estavam me oferecendo e ver o que poderia acontecer.

Mas, em vez de escrever sobre ela, quero me concentrar em quem eu sou. Portanto, neste livro divido alguns aprendizados que me ajudaram a levar uma vida mais consciente e alegre, que me inspiraram a superar cada desafio que enfrentei ao longo dos anos e que me trouxeram uma compreensão mais profunda de mim mesma e do mundo ao meu redor.

Alguns desses aprendizados descobri do jeito mais árduo — por expe- riência própria. Outros pude observar as pessoas no decorrer dos anos e cheguei à conclusão do que não fazer e de como não agir. Cada capítulo deste livro traz histórias extraídas das minhas próprias experiências, ilustrando meu processo de aprendizado e o que acontecia na minha vida naquele momento. Também tive muitos professores ao longo do caminho. Descobri que a natureza é uma grande professora e uma fonte de cura muito poderosa. Aprendi a prestar atenção à minha voz inte- rior, de quem obtive insights importantes mesmo quando eu não queria ouvir. Aprendi que nossos pensamentos, nossas palavras e ações estão conectados, e por que precisamos ser cuidadosos com eles. Eu comecei a nutrir meu corpo, minha mente e meu espírito através da meditação, de alimentos curativos e de uma visão positiva da vida, e o resultado disso é que fui capaz de experimentar uma clareza mais profunda e um sentido de propósito mais amplo. Espero que, ao dividir minha história, ela possa servir de inspiração e ajuda para outras pessoas que estejam passando por situações semelhantes.

Então, se a modelo de quem falei antes era ela, quem sou eu?

Se tem uma palavra que uso para me descrever é simples. Sou o tipo de mulher que gosta de andar de calça jeans, camiseta e pés descalços. Minha família vai dizer a mesma coisa. Sempre fui aluna da escola da vida, sempre curiosa, sempre querendo saber mais. Naturalmente, quando saí da minha cidade para iniciar a carreira de modelo, passei a experimentar o mundo de novas maneiras. Pelas duas décadas seguintes, co- mecei o processo de descobrir quem eu era. Como já disse, essa Gisele é muito diferente da minha pessoa pública. Eu nasci numa família trabalhadora de classe média numa cidade no sul do Brasil chamada Três de Maio. Além dos meus pais, havia em casa seis de nós meninas: Raque, Fofa, Pati, Gise (essa sou eu), Gabi e Fafi. Minha mãe, sempre batalhadora, trabalhava como bancária e ainda dava conta de toda a rotina da casa e das filhas. Meu pai era um empreendedor, teve muitas atividades diferentes. Ele estava sempre lendo, aprendendo e criando, e era — e ainda é — um espírito livre de verdade. Hoje atua como palestrante motivacional e sociólogo trabalhando comigo em projetos ambientais.

Tivemos a sorte de crescer tendo uma grande variedade de árvores frutíferas no quintal de casa — abacate, pitanga, pêssego, goiaba, ma- mão, butiá e três tipos diferentes de bergamota (minha fruta preferida) — que eu colhia e carregava na camiseta dobrada.

Sempre amei a natureza. Sentia que a terra e a areia debaixo dos meus pés, as árvores, as nuvens, os pássaros e os raios de sol faziam parte de quem eu era, sentia que eu era a natureza. Lembro-me do quanto adorava visitar o sítio da minha avó materna, onde ela tirava o leite das vacas, cultivava quase tudo o que comia e fazia as próprias roupas. A vó prepa- rava comidas deliciosas para nós, como as cucas — uma versão alemã do panetone, só que com pedacinhos de morango ou uva no meio da massa —, que eram servidas com nata fresca ainda morna recém-tirada do leite.

Fui criada na religião católica, e minha mãe nos levava à missa todo domingo. Assim como as minhas irmãs, não gostava muito de ficar sen- tada naqueles bancos duros ouvindo o padre falar. Mas gostava dos cantos (minha mãe tinha uma linda e poderosa voz de soprano). Também gostava das festas que aconteciam no salão paroquial, onde eu comia qualquer coisa servida pelas senhoras da igreja — salada de repolho, massa e churrasco — com as outras crianças. Ainda adoro as histórias da Bíblia e as ensino aos meus filhos. Mas eu sempre ficava matutando o porquê de tudo e, a certa altura, comecei a questionar o que estavam me ensinando.

Um dia, numa aula de religião, quando tinha uns 12 ou 13 anos, está- vamos estudando o Levítico, e levantei a mão. Como a lei “olho por olho, dente por dente” podia existir ao mesmo tempo em que Jesus nos ensinava a amar nossos inimigos e sempre oferecer a outra face? Como isso funcionava? Eu não estava tentando bancar a espertinha, mas aquilo simplesmente não fazia sentido. Em vez de responder à minha pergunta ou iniciar um debate, a professora pareceu surpresa, depois frustrada, e me mandou para a diretoria. Eu não achava que tinha feito nada de errado! (E continuo não achando.)

Por que ela não me deu uma resposta? Se ela não tinha a resposta, quem teria? Meus pais é que não. Minha mãe e meu pai estavam ocupados demais trabalhando enquanto tentavam criar seis filhas. E as perguntas sem respostas iam se acumulando. Quem eu era? Por que eu estava aqui? Como o mundo começou? À medida que as dúvidas aumentavam, tam- bém crescia minha resistência a qualquer tipo de sistema que afirmasse: Estes são os fatos, é assim que funciona, e só existe um caminho.

Talvez tenha sido essa busca constante que tenha me levado a ficar fascinada pelo mundo espiritual. Eu rezava à noite para Deus, para minha estrela guia, para os meus anjos da guarda. No início da adolescência, comecei a ler não só sobre religião, mas sobre crenças, metafísica e mito- logia. Esses são meus assuntos preferidos até hoje. Em algum momento passei a acreditar que todos nós vivemos num mundo regido por ilusões, e que o meu — o nosso — dever é descobrir quem realmente somos e encontrar nosso propósito individual. Tudo o que vivemos, as coisas boas e as ruins, tem um significado, mesmo quando não conseguimos entender imediatamente qual é. Tudo acontece para que nós possamos aprender e evoluir.

Eu digo aos meus filhos que Deus é uma energia que está por trás da criação de tudo. Deus é visível nas montanhas, nos oceanos, no céu, nas árvores, na luz do sol, na chuva, nos animais e nas estações do ano. Sem a natureza, nada nem ninguém existiria. A natureza é divina e é ela que nos mantém vivos.

Hoje, com 38 anos, sinto que estou diante de uma vida completamente nova — um tipo de renascimento. Meu objetivo agora é continuar a aprender e desenvolver meus talentos para usá-los para ajudar a servir a um bem maior. Acredito que muitas pessoas estejam preocupadas e distraídas com o excesso de informação e de notícias ruins, e espero que este livro sirva como uma ferramenta de inspiração para que se concentrem nos valores internos e espirituais. Quando era mais jovem, não havia como prever o que aconteceria comigo vinte anos depois. Estava ocupada de- mais vivendo, ocupada demais fazendo escolhas. Uma vez li que, quando olhamos para o nosso passado, podemos ver uma linha narrativa, uma ordem ou um plano, como se fosse algo gerado por uma força invisível, e que os acontecimentos, e até mesmo as pessoas presentes na nossa vida, que pareciam aleatórios ou sem importância num dado momento, se tornam, no fim das contas, indispensáveis para a nossa história. Nossas vidas também desempenham um papel importante nas das outras pes- soas. É como se nossas vidas fossem engrenagens de um grande sonho de um sonhador solitário no qual todos os personagens também estão sonhando. Quando olhamos para trás, é como se, sem saber, estivéssemos criando juntos as nossas vidas — mas de que jeito, e com quem?

Sei que ainda sou relativamente jovem, mas, olhando para a minha vida até o momento, tenho uma enorme sensação de gratidão. Oportu- nidades fenomenais me foram oferecidas, e trabalhei duro para tirar o melhor proveito de cada uma delas. Minha vida não foi desse jeito por acaso. Escolhi me mudar para São Paulo quando tinha 14 anos. Muitos anos depois, escolhi me casar com meu marido. Escolhi formar uma família com ele. Poderia nunca ter saído do Brasil. Poderia ter sido jogadora de vôlei profissional (eu era boa nisso) ou ter me tornado veterinária. Poderia ter me casado com outra pessoa, ou nunca ter me casado ou tido filhos. A vida que levo hoje é a consequência das dezenas de decisões que tomei. Quando era mais jovem, aproveitei as portas que se abriram para mim. Mas, com o passar dos anos, comecei eu mesma a abrir as portas. Se fizermos escolhas mais conscientes e com uma maior compreensão de nós mesmos, estaremos mais alinhados com o nosso propósito na vida, seja ele qual for.

Ao longo dos anos, amigos e desconhecidos me confidenciaram sobre as dificuldades enfrentadas pelas meninas e mulheres em suas vidas. Ouvi que suas filhas ou amigas estavam enfrentando depressão, ansiedade, distúrbios alimentares, automutilação, e, diante disso, compartilhei algumas das minhas próprias experiências desafiadoras, na esperança de que isso fizesse com que elas se sentissem apoiadas e que soubessem que não estavam sozinhas. Somos todas bombardeadas com imagens de como deveria ser nossa aparência, ou de como deveríamos nos comportar. E, sim, sei que por mais de duas décadas trabalhei numa indústria que tende a exaltar padrões inalcançáveis de beleza, estilo e glamour. Sei também que as redes sociais são talhadas para expor os melhores momentos das nossas vidas, não os piores. No meu Instagram, você não vai encontrar muitas fotos minhas com dor de cabeça ou com olheiras por ter ficado a noite inteira acordada cuidando dos meus filhos quando estão doentes.

A vida pode ser mágica, mas viver bem exige esforço, foco, paciên- cia, compaixão, determinação e disciplina. Invejar ou se comparar com qualquer pessoa é uma receita tóxica. A inveja só gera a sensação de nunca sermos bons o suficiente. Acredito que somos — cada um de nós — úni- cos à nossa própria maneira. Cada um de nós tem algo único e especial a oferecer, e que somente nós podemos dar ao mundo.

Muitas mulheres estão simplesmente sobrecarregadas. Estejam elas no ensino médio, com excesso de atividades em suas agendas diárias, ou na casa dos trinta ou quarenta anos ficando esgotadas enquanto tentam ser boa mãe, esposa perfeita, ter sucesso no trabalho, ou as três coisas, sem nunca ter tempo só para si. Elas perderam a conexão com a natureza e com elas mesmas. Estão buscando respostas do lado de fora, sem perceber que as respostas que realmente importam estão do lado de dentro. Houve um tempo em que eu fui assim. Então, naturalmente, estou escrevendo este livro para o meu eu mais jovem. Se alguém tivesse compartilhado estas lições comigo quando eu era adolescente ou quan- do eu tinha vinte e poucos anos, talvez minha jornada tivesse sido um pouco mais fácil. E também quero compartilhar essas lições com meus filhos. Sempre me pergunto: De que forma eu poderia ajudá-los se eles não fossem meus filhos? Ou se eu não estivesse aqui? Como eu posso deixar para eles algo importante e de valor? As lições contidas neste livro são as que mais quero que meus filhos aprendam e que se lembrem delas como luzes que guiarão suas vidas.

Por 23 anos fui aluna na escola da moda, e uma das primeiras coisas que descobri foi como ela podia ser superficial. Por muito tempo na minha carreira de modelo, me senti dividida e culpada. Trabalhar como modelo nunca foi minha paixão nem a minha identidade. Foi uma oportunidade de trabalho que surgiu quando eu era muito jovem, e eu a abracei. Mas isso não quer dizer que eu não seja extremamente grata por todas as oportunidades que tive e a todas as pessoas que me deram essas oportunidades. Hoje, toda a visibilidade que tenho existe por causa do meu trabalho no mundo da moda, e agora posso usar algumas das ferramentas que adquiri para atrair mais atenção para projetos que são importantes para mim e que, acredito, possam ter um impacto positivo no mundo.

A maioria das pessoas me conhece apenas como uma imagem, um objeto, uma tela em branco na qual podem projetar suas próprias his- tórias, seus sonhos, suas fantasias — o que, ironicamente, era a mesma abordagem que eu adotava no trabalho quando me tornei ela. Por 23 anos, também fui uma imagem sem voz. Tenho isso em comum com muitas mulheres. Quantas vezes nos passaram a mensagem de que nossas vozes não valiam a pena ser ouvidas, seja quando somos ignoradas numa reunião, ou criticadas nas redes sociais, ou reduzidas a um conjunto de partes corporais? Permitir a mim mesma me abrir e mostrar meu lado vulnerável — não ela, mas eu, Gisele — é bem assustador. Não vou mais poder me desconectar nem me esconder. Ao mesmo tempo, acredite em mim: nada é mais estranho do que ser o objeto das projeções de outras pessoas. Ser conhecida e ao mesmo tempo desconhecida já não me parece certo. A vida nem sempre é fácil, nem é um conto de fadas, e todos enfrentamos desafios, não importa quem sejamos. Ao falar aber- tamente, espero que possa inspirar outras mulheres a fazerem o mesmo, principalmente numa época em que as mulheres precisam apoiar umas às outras mais do que nunca. Afinal, as mudanças só acontecem quando estamos dispostos a defender aquilo em que acreditamos.

Os aprendizados neste livro não são regras. Como alguém que sempre questionou o status quo, é claro que não quero me transformar no status quo de ninguém. Algumas destas lições podem parecer familiares, ou até mera questão de bom senso. Meu objetivo é simplesmente interpretar crenças específicas no contexto da minha vida e das minhas experiências. E, como a maioria das pessoas, ainda estou aprendendo e tentando melhorar todos os dias. Se estes aprendizados forem úteis, ótimo. Se uma, duas, ou todas as oito não fizerem sentido para você, deixe-as para lá e siga seu caminho. Lembre-se de que eu cresci questionando qualquer um ou qualquer coisa que pretendesse ter todas as respostas, e talvez você se sinta do mesmo jeito. Nem por um segundo estou tentando ser uma autoridade ou uma especialista. Não sou melhor nem pior do que ninguém. Estes aprendizados simplesmente deram certo para mim e me ajudaram a melhorar minha própria vida ao atribuir a ela um significado mais profundo.

Ainda assim, se você guardar apenas uma mensagem deste livro, espero que seja a importância de viver a vida com amor. De amar a si mesmo. De amar os outros. De amar o mundo no qual todos nós vivemos. Jogue para o alto todo o resto, mas, por favor, jamais viva sua vida sem amor.

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