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Viviane Mosé Home > Autores > Viviane Mosé
Entrevista - Desato e Toda palavra

Não é por acaso que a metáfora preferida da poeta, psicóloga e doutora em filosofia Viviane Mosé seja a hidrelétrica. Viviane — autora de Desato e Toda palavra — é apaixonada pela imagem do rio, mas também pelo represamento do fluxo das águas para tranformá-las em energia. Viviane é energia pura, quase elétrica, de uma força intelectual e emotiva que canaliza desde cedo para múltiplas atividades. Depois de décadas em salas de aula e consultórios entre sua Vitória natal e o Rio de Janeiro, onde se radicou em 1992, hoje Viviane vive a filosofia e a poesia intensamente, talvez tão intensamente quanto a recente e inspiradora maternidade. Conhecida nacionalmente graças ao quadro de filosofia Ser ou não Ser?, transmitido desde 2005 pelo Fantástico, da Rede Globo, Viviane escreve poemas e os declama ou teatraliza, em recitais por várias cidades. “O mal da filosofia e da cultura é o pensamento racional”, sentencia a seguidora e estudiosa de Nietzche. “Gostaria que a poesia deixasse de ser comprada em livro e se tornasse parte do cotidiano, que poesia e filosofia não fossem distintas uma da outra”, filosofa a poeta. Com Desato e Toda palavra, o leitor que ainda não conhece a poesia desta filósofa terá a oportunidade de conferir sua faceta mais lúdica e “desatada”. Viviane brinca com as pequenas coisas do cotidiano, com  linguagem, através do trato sempre delicado e inteligente ao seu tema-obsessão: a palavra.  Como nesta entrevista.

Como surge Desato na sua trajetória? O que esse livro, seu terceiro de poemas, tem de diferente?

Desato é uma tentativa de linguagem desatada, como um rio. Pretendi desatar os nós que prendem a minha palavra. É desprovido de pretensão intelectual. Busquei metáforas simples, cotidianas, tentando atingir uma coisa muito difícil, que é a poesia sem nenhum apelo. Meu primeiro livro de poesia, Escritos (1989), que publiquei aos 26 anos, era um apanhado dos poemas que vinha colecionando a vida inteira e coincidiu com meu mestrado em Filosofia.  O segundo, Toda palavra (1997), agora relançado pela Record, foi o primeiro com uma proposta de sistematização, era a experimentação de um tipo de linguagem, muito influenciada por João Cabral de Melo Neto. Não que eu me compare a João Cabral. Mas tenho a influência dele, embora a escrita de Cabral seja mais dura. Se nos primeiros, as receitas tinham referência na palavra, como a Receita para lavar palavra suja de Toda palavra, em Desato, a receita é de arroz, no que também há poesia. Como há poesia em todas as pequenas coisas. Mas o tema da palavra permanece.

A obsessão da poeta pela palavra, pela representação, coincide com a preocupação da filósofa pela linguagem?

Minha obsessão pela palavra vem da infância. Quando aprendi a falar, não aceitava as palavras que me eram dadas. Não gostei de “cabide” e inventei “pendulho”. Sempre falei bem e fui reconhecida pela palavra. Dei aulas desde os 18 anos e, durante 15 anos, já formada, ouvi a palavra do outro no consultório, como psicóloga. Passava o dia ouvindo, às vezes 10 horas seguidas. A psicanálise para mim foi o exercício de me calar, eu que tenho o ofício de falar. Eu já caminhava pela poesia.O consultório me deu a prosa. Devo muito àquelas pessoas.

Desato fala no ambiente da casa, do corpo, dos arredores, de sua terra natal. A temática tem a ver com o sentimento de pertencer?

Essa conquista do pertencimento foi um produto do ato de desatar minha palavra. Ao contrário do que eu fiz nos outros livros, todos digitados em computador, desta vez fiz o exercício de anotar tudo em caderninhos, que eu não lia enquanto não estivessem completos. Quando eu desatei, voltei para o chão.

Quem nasceu primeiro, a poeta ou a filósofa?

Fui estimulada à literatura pelo pensamento filosófico. Não sou uma conhecedora de literatura, uma especialista. Para mim, ambas sempre estiveram muito ligadas. Como eu precisava trabalhar, dei aulas desde cedo, fui monitora de filosofia já no segundo semestre da faculdade. Fiz teatro amador e participei da equipe capixaba de ginástica olímpica. Depois fui psicanalista. Assim, as experiências foram se sobrepondo e se misturando, me dando fluidez para pensar e para a palavra no palco. 

Com tantas frentes de atuação, em que tempo você faz poesia?

Não há hora para fazer poemas. Os faço a qualquer hora. Na rua, no aeroporto, a caminho do trabalho. Mas há um momento especial, sim. Eu chamo esse momento de contemplar a parede branca, quando me deito diante da parede, que deixo propositalmente sem quadros, vazia, sem nada. Fico horas nessa contemplação e adoro o exercício. É preciso adubar a terra do poema.

Você diria que Desato é seu livro mais feminino?

Não gosto do discurso que vê méritos em obras e pessoas pelo fato de serem de mulheres ou femininas. Mas é, sim, meu livro mais feminino, no sentido de feminino-bicho. Tem a ver com parir, uma experiência completamente marcante para mim. Tenho um menino de dois anos, que mudou completamente minhas aspirações. Amigos que assistiram recitais meus antes da maternidade e me viram recentemente, no Sesc Copacabana, comentaram que meus poemas, mesmo os mais profundos, se tornaram engraçados. Isso tem a ver com a filosofia trágica de Nietzche, que dizia que a vida é um fenômeno trágico, em que a dor estimula a alegria. Quando escolhi ser mãe, eu disse “sim” ao mundo: “Eu topo tudo, o kit completo. Eu aceito este mundo, na dor e na alegria, e o dou de presente a meu filho”.

Num mundo tão conturbado, você considera possível um resgate do ser humano como indivíduo pelo caminho da filosofia? Há uma chance de um resgate mais coletivo, menos individual?

Estamos passando por uma crise imensa da estrutura psíquica do homem. Uma mudança grave do eu. Aquele esquema do ego, superego e id já não é bem assim. O que está em crise é o modelo de homem racional, inventado há 2.500 anos por Sócrates e Platão, e que é fundamento da modernidade. Em função da tecnologia e das novas relações sociais, certas verdades deixaram de ser verdades. Afinal, quem é esse homem que funciona em rede? O que é esse deslocamento? Isso acontece de vez em quando, como a tsunâmi provocada pelo deslocamento das placas tectônicas. A filosofia e a poesia têm para mim, uma função afirmativa. Fazem acelerar a palavra, fornecem metáforas na busca desse novo homem.



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